quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Resposta à matéria de Allan Kenji no Psiu!
O primeiro questionamento proposto por ele, é sobre a Empresa Júnior de Psicologia se anunciar como a solução mais adequada para preencher a lacuna presente na formação profissional do curso de graduação de psicologia da UFSC, ou “prioritário sobre outras alternativas”. O Movimento de Criação da Empresa Júnior da UFSC não se “anuncia” prioritário, anuncia-se sim, como uma das iniciativas possíveis para ampliar a proposta deste curso, que é reconhecido por apresentar maior diversidade de ensino em comparação aos cursos de psicologia da maioria das universidades, os quais costumam seguir uma linha teórica dominante, restringindo a formação e capacitação profissional dos envolvidos.
A EJ não oportuniza vivenciar a livre concorrência e não se beneficia de bolsas, estando estes itens elucidados claramente na regulamentação das mesmas. A própria EJ defende a responsabilidade por sua manutenção como fruto de seu próprio trabalho.
A EJ atua sim, em benefício da universidade e não em benefício apenas de uma parcela reduzida de estudantes, como acusado. Cabe a oposição estar melhor informada dos inúmeros projetos que as EJ’s da UFSC já realizaram a favor da melhoria dos serviços que a universidade proporciona.
A proposta alternativa do Serviço Modelo Estudantil de Psicologia é uma iniciativa plenamente apoiada pelo Movimento de Criação da Empresa Júnior da UFSC, a iniciativa estudantil é um movimento que deve ser valorizado em sua diversidade. Os alunos assumirem a autoria de atividades em prol de seu próprio sistema de ensino é, sem dúvida, a maior representação de progresso para um curso.
O autor afirma que na proposta do Serviço Modelo, os estudantes teriam uma funcionalidade plenamente horizontal, sem coordenadores (função que define uma diretoria executiva em uma EJ). Os princípios da Psicologia Social comprovaram em inúmeros momentos que em uma organização com mais de 15 membros, é impossível que haja alguma coesão ou alinhamento de prática sem que alguém assuma um papel de liderança. Portanto, acredito que o Serviço Modelo teria um sério problema ao propor tal método de gestão.
Allan também diz que a utilização dos recursos públicos na atenção aos problemas sociais do nosso país é uma exclusividade do Serviço Modelo. Um dos maiores problemas sociais do Brasil é, sem dúvida, a inserção laboral adequada de seu povo, fator essencial para a cidadania e para uma vida digna, livre e independente, uma vez que um cidadão trabalhador é aquele capaz de produzir seu próprio sustento assumindo a autonomia em sua vida. O índice de pessoas desocupadas no Brasil encerrou 2010 em uma média de 6,7% - o menor porcentual desde 2002. No primeiro semestre de 2011, o desemprego seguiu caindo mês a mês. O índice se aproximou daquele que os economistas consideram pleno emprego.
Será mesmo que a atuação do profissional de psicologia no fortalecimento da economia nacional não é um exercício diretamente a favor da solução dos problemas sociais do nosso país?
O Movimento de Criação da Empresa Júnior de Psicologia acredita que a influência social que uma organização traz a seu país não depende se ela é de natureza governamental, não-governamental ou privada. Não cabendo a nós, julgarmos o tipo de contribuição que ela representa para a comunidade, exclusivamente pelo setor no qual ela atua, mas conhecendo de fato a sua atuação.
sábado, 8 de outubro de 2011
Voltarei aqui assim que possível!
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
A Construção do Ser/Fazer
Estou há meses, quem sabe anos, em uma crise existencial em relação ao campo a seguir na minha profissão: A psicologia clínica ou a psicologia organizacional. Antes eu acreditava que com o tempo, a experiência e o conhecimento, isso seria resolvido. Mas tem certas escolhas que só tendem a se mostrar mais críticas, como se todas as alternativas estivessem se provando cada vez mais como corretas.
A questão é que as duas opções apresentam características fundamentais e indissociáveis da minha identidade, isto dificulta a aceitação do luto de abandono de qualquer uma delas, como se assim, eu estivesse abandonando parte de minha própria personalidade.
De um lado a psicologia organizacional oferece o exercício do planejamento estratégico; a busca por eficiência institucional; por destaque na qualidade de adaptação da realidade, aos diferentes efeitos dos fenômenos culturais e comerciais (os quais cada vez mais se tornam unos) e pelo prestígio e reconhecimento das capacidades ante a este cenário esmagador.
Por outro lado, a psicologia clínica oferece uma profunda vivência, em contato íntimo com as singularidades, com aquilo que de fato é verdadeiramente significativo na vida de cada um, aquelas particularidades que a rotina social busca separar dos indivíduos, mas que lutam por permanecer, pois é o que torna as pessoas humanas, o que os mantém em um contato verdadeiro com a vida, o que os permite ser genuínos, humanos.
Por fim, acredito que posso seguir os dois caminhos. As formações profissionais teimam em nos impor que devemos nos tornar seres especificamente especializados. Mas a vida é saudável quando vivida em sua plenitude, quando procuramos articular todas as nossas necessidades. Por mais que a ciência busque separar e classificar as coisas em diferentes grupos, mais se percebe os erros oriundos desta prática.
Acabou-se por aceitar que a luz se comporta como onda, assim como se comporta como partícula, apesar de ser este, um paradoxo lógico. Quanto mais as leis que definem a ciência, a filosofia e a religião são aprofundadas, menos elas se diferenciam. Tudo se resume a pontos de vista e são através dos mais variados pontos de vista, que podemos ter uma visão completa dos fenômenos, do mundo e de nós mesmos.
sábado, 26 de março de 2011
Papéis
Hoje vou falar sobre um conceito fundamental no psicodrama, muito presente também na psicologia sistêmica: papéis. Talvez a minha dissertação seja qualitativamente diferente da que será encontrada nos livros dos autores destas abordagens, uma vez que ainda não tive a oportunidade de lê-los diretamente ou estudá-los em aula. Mas a definição é essencialmente esta.
É claro que cada indivíduo tem sua própria forma de se relacionar com os outros e que isto diferencia as pessoas umas das outras, mas é muitas vezes ignorado que uma pessoa se comportará de forma diferente com cada um com o qual ela tenha uma relação. Dificilmente alguém se comportará com os amigos como se comporta com seus pais, no emprego, etc. E mesmo dentro de cada categoria, existirá grandes diferenciações.
Considerando estes pressupostos, podemos dizer que um sujeito é uma pessoa diferente com cada outra pessoa, João não é a mesma pessoa com seus pais que é com sua namorada, ou seus amigos, ou seu chefe. Isso acontece por que cada uma dessas pessoas no círculo social de João nutre diferentes expectativas e tem diferentes impressões sobre ele.
Podemos dizer que dependendo do contexto, João deve assumir diferentes papéis aos quais lhe foi sugerido, para que assim ele possa ter uma relação adequada, satisfazendo aos seus interesses assim como às expectativas daquele com o qual ele se relaciona. Esta é uma característica adaptativa essencial para a vivência em sociedades.
Esta abordagem social trás uma grande variedade de repercussões na vida de todos. Aqueles que são incapazes de se adaptar adequadamente à demanda externa, tornam-se excluídos socialmente seja na esfera íntima, familiar ou profissional. Aqueles que procuram atender completamente aos papéis a eles atribuídos, acabam se passando por falsos ou vazios e perdem contato com sua própria personalidade e identidade.
Um relacionamento pode então ser visto como uma negociação de papéis, aonde cada parte busca corresponder ao papel proposto pelo outro enquanto - em um relacionamento saudável - preserva sua própria personalidade. Ao longo do desenvolvimento desta negociação, ambos constroem junto um relacionamento único, dotado de contribuições e acordos de cada um. Este processo, quando agrada a ambas as partes, gera um forte sentimento de identificação, satisfação e confiança, essencial para que estes indivíduos se interessem em cooperar entre si na construção de uma amizade, uma parceria ou um relacionamento íntimo.
Existem muitas formas pelas quais podemos entrar em contato com todo este processo de assunção e atribuição de papéis, seja para encontrarmos nosso “verdadeiro eu”, para compreender melhor como tudo funciona ou para termos maior facilidade em realizar e lidar com estes processos. A princípio, é natural e essencial na infância do ser humano, trabalhar com papéis nas brincadeiras de faz-de-conta. No âmbito artístico eu destacaria o teatro, a literatura e o RPG. No âmbito clínico, encontramos a terapia psicodramática, sistêmica e as dinâmicas de grupo. Considero que todas estas atividades - entre outras - podem ser terapêuticas na relação de papéis.
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Feminismo
Quanto mais eu aprendo sobre a natureza feminina mais eu percebo como muitas das mulheres mais engajadas em uma luta feminista, estão na verdade, cometendo o maior absurdo possível contra seu grupo de gênero. A luta por direitos iguais convenceu muitas mulheres de que elas são inferiores aos homens e de algo ainda mais ridículo: que enquanto não alcaçarem uma igualdade total de direitos, elas estarão fadadas a serem sempre submissas aos homens.
Acreditar que se deve alcançar a igualdade perante ao homem, significa se tornar homem, abandonar toda sua feminilidade. Eu não condeno a luta pelos direitos iguais, mas condeno a forma como esta luta cega algumas das combatentes mais participativas. A busca por tais direitos é tão obsessiva que elas esquecem todas as virtudes e vantagens que a natureza feminina detém.
Sacher Masoch, Marquês de Sade e Nietzsche devem estar se remexendo em seus túmulos perante tal ignorância, por todas essas mulheres que caíram tolamente na armadilha que a Igreja - a instituição mais machista que se tem notícia - armou contra elas. Afinal, a maior influência cultural funcional que a Igreja gerou foi a a elevação de todas as fraquezas masculinas, ao nível de virtudes divinas e a demonização de todas as virtudes femininas.
O idealismo e a moral são apenas conceitos cuidadosamente forjados para favorecer o modelo comportamental ao qual o homem é condenado por sua própria natureza. O cristianismo é deturpado em sua essência, como Nietzsche diz: "A pregação da castidade é um incitamento público ao antinatural. Toda expressão de desrpezo à vida sexual, toda a contaminação da mesma pelo conceito 'impura' é um crime contra a vida em si - é o pecado intrínseco contra o espírito santo da vida."
sábado, 22 de janeiro de 2011
Mestres
O fato que me veio à luz, é que aparentemente todos foram/são extremistas, como se alcançar tal nível de compreensão e elucidação de seu respectivo logos, exija um preço à altura: resignar-se e libertar-se de qualquer conhecimento, atitude e até comportamento que siga alguma outra linha. Como um monge que, para se tornar iluminado, deve passar por uma provação reclusando-se de tudo aquilo que já foi construído ou esculpido pelo homem, em um ambiente deserto, vivendo e interagindo apenas com aquilo que é essencial para mantê-lo vivo. Assim, ele finalmente poderá encontrar a essência de sua fé e dominar sua filosofia. Ao voltar para sua terra ele já se tornou divino, mas por esse motivo, é obrigado a se privar de tudo aquilo que lhe é impuro.
Então se tornar um grande mestre, é se tornar um arauto de determinada esfera particular de conhecimento, incorporando tudo que ela representa e sendo assim reconhecido por todos. Conseqüentemente, lhe é cobrado que apenas responda segundo sua disciplina de especialidade como um representante de tal conhecimento, não podendo utilizar de quaisquer recursos que sua disciplina não aborde, lhe é permitido, no máximo, declarar que tal questão não diz respeito à sua especialização. Podemos usar como metáfora o oriente antigo: quando um mestre em karate era desafiado por um espadachim, caberia a ele defender sua escola com as mãos vazias, independente da disponibilidade de alguma arma.
É evidente que um mestre poderia incorporar a personalidade de sua escola apenas enquanto necessário, porém, a expectativa social é forte e o condiciona a se comportar desta forma, afinal é aquela persona que é reconhecida como alguém de valor, que os outros vêem, ao se dirigir para este mestre. A sociedade não tem interesse nas características que não condizem com o logos dominado por aquela pessoa, desumanizando-a.
Portanto, para adquirir determinada maestria, parece necessário que haja um extremismo. Não acredito que haja alguma área de conhecimento na qual eu me identifique a tal nível, para pagar este sacrifício de abandonar todos meus outros preceitos e filosofias. Parece que a genialidade é tão raramente alcançada, pela recusa da maioria das pessoas cultas, de se sujeitar totalmente a determinado conhecimento. Fica claro o motivo pelo qual todas as personalidades que tiveram tamanho reconhecimento pelo domínio de alguma disciplina, estão longe de serem consideradas um exemplo como pessoas, freqüentemente tendo comportamentos polêmicos e não-ideais. E ainda adquirindo perturbações à sua psiquê.
Devemos muito a eles, que sacrificaram muito de seu livre arbítrio e bem estar psicológico para explorar profundamente determinados saberes, colhendo e produzindo um farto conjunto de conhecimentos, ferramentas e tecnologia. Permitindo a todos seus sucessores trilhar, com maior facilidade e conforto, os caminhos que foram abertos por estes bravos desbravadores.