sexta-feira, 2 de setembro de 2011

A Construção do Ser/Fazer

Estou há meses, quem sabe anos, em uma crise existencial em relação ao campo a seguir na minha profissão: A psicologia clínica ou a psicologia organizacional. Antes eu acreditava que com o tempo, a experiência e o conhecimento, isso seria resolvido. Mas tem certas escolhas que só tendem a se mostrar mais críticas, como se todas as alternativas estivessem se provando cada vez mais como corretas.

A questão é que as duas opções apresentam características fundamentais e indissociáveis da minha identidade, isto dificulta a aceitação do luto de abandono de qualquer uma delas, como se assim, eu estivesse abandonando parte de minha própria personalidade.

De um lado a psicologia organizacional oferece o exercício do planejamento estratégico; a busca por eficiência institucional; por destaque na qualidade de adaptação da realidade, aos diferentes efeitos dos fenômenos culturais e comerciais (os quais cada vez mais se tornam unos) e pelo prestígio e reconhecimento das capacidades ante a este cenário esmagador.

Por outro lado, a psicologia clínica oferece uma profunda vivência, em contato íntimo com as singularidades, com aquilo que de fato é verdadeiramente significativo na vida de cada um, aquelas particularidades que a rotina social busca separar dos indivíduos, mas que lutam por permanecer, pois é o que torna as pessoas humanas, o que os mantém em um contato verdadeiro com a vida, o que os permite ser genuínos, humanos.

Por fim, acredito que posso seguir os dois caminhos. As formações profissionais teimam em nos impor que devemos nos tornar seres especificamente especializados. Mas a vida é saudável quando vivida em sua plenitude, quando procuramos articular todas as nossas necessidades. Por mais que a ciência busque separar e classificar as coisas em diferentes grupos, mais se percebe os erros oriundos desta prática.
Acabou-se por aceitar que a luz se comporta como onda, assim como se comporta como partícula, apesar de ser este, um paradoxo lógico. Quanto mais as leis que definem a ciência, a filosofia e a religião são aprofundadas, menos elas se diferenciam. Tudo se resume a pontos de vista e são através dos mais variados pontos de vista, que podemos ter uma visão completa dos fenômenos, do mundo e de nós mesmos.