sábado, 26 de março de 2011

Papéis

Hoje vou falar sobre um conceito fundamental no psicodrama, muito presente também na psicologia sistêmica: papéis. Talvez a minha dissertação seja qualitativamente diferente da que será encontrada nos livros dos autores destas abordagens, uma vez que ainda não tive a oportunidade de lê-los diretamente ou estudá-los em aula. Mas a definição é essencialmente esta.

É claro que cada indivíduo tem sua própria forma de se relacionar com os outros e que isto diferencia as pessoas umas das outras, mas é muitas vezes ignorado que uma pessoa se comportará de forma diferente com cada um com o qual ela tenha uma relação. Dificilmente alguém se comportará com os amigos como se comporta com seus pais, no emprego, etc. E mesmo dentro de cada categoria, existirá grandes diferenciações.

Considerando estes pressupostos, podemos dizer que um sujeito é uma pessoa diferente com cada outra pessoa, João não é a mesma pessoa com seus pais que é com sua namorada, ou seus amigos, ou seu chefe. Isso acontece por que cada uma dessas pessoas no círculo social de João nutre diferentes expectativas e tem diferentes impressões sobre ele.

Podemos dizer que dependendo do contexto, João deve assumir diferentes papéis aos quais lhe foi sugerido, para que assim ele possa ter uma relação adequada, satisfazendo aos seus interesses assim como às expectativas daquele com o qual ele se relaciona. Esta é uma característica adaptativa essencial para a vivência em sociedades.

Esta abordagem social trás uma grande variedade de repercussões na vida de todos. Aqueles que são incapazes de se adaptar adequadamente à demanda externa, tornam-se excluídos socialmente seja na esfera íntima, familiar ou profissional. Aqueles que procuram atender completamente aos papéis a eles atribuídos, acabam se passando por falsos ou vazios e perdem contato com sua própria personalidade e identidade.

Um relacionamento pode então ser visto como uma negociação de papéis, aonde cada parte busca corresponder ao papel proposto pelo outro enquanto - em um relacionamento saudável - preserva sua própria personalidade. Ao longo do desenvolvimento desta negociação, ambos constroem junto um relacionamento único, dotado de contribuições e acordos de cada um. Este processo, quando agrada a ambas as partes, gera um forte sentimento de identificação, satisfação e confiança, essencial para que estes indivíduos se interessem em cooperar entre si na construção de uma amizade, uma parceria ou um relacionamento íntimo.

Existem muitas formas pelas quais podemos entrar em contato com todo este processo de assunção e atribuição de papéis, seja para encontrarmos nosso “verdadeiro eu”, para compreender melhor como tudo funciona ou para termos maior facilidade em realizar e lidar com estes processos. A princípio, é natural e essencial na infância do ser humano, trabalhar com papéis nas brincadeiras de faz-de-conta. No âmbito artístico eu destacaria o teatro, a literatura e o RPG. No âmbito clínico, encontramos a terapia psicodramática, sistêmica e as dinâmicas de grupo. Considero que todas estas atividades - entre outras - podem ser terapêuticas na relação de papéis.

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