Esta semana foi publicada, no jornal do centro acadêmico livre de psicologia da UFSC (Psiu!), uma matéria de autoria do aluno membro do conselho de unidade do CFH, Allan Kenji Seki, questionando a proposta de uma empresa júnior do curso de psicologia da UFSC. Venho por meio desta publicação, buscar elucidar alguns aparentes equívocos em sua matéria.
O primeiro questionamento proposto por ele, é sobre a Empresa Júnior de Psicologia se anunciar como a solução mais adequada para preencher a lacuna presente na formação profissional do curso de graduação de psicologia da UFSC, ou “prioritário sobre outras alternativas”. O Movimento de Criação da Empresa Júnior da UFSC não se “anuncia” prioritário, anuncia-se sim, como uma das iniciativas possíveis para ampliar a proposta deste curso, que é reconhecido por apresentar maior diversidade de ensino em comparação aos cursos de psicologia da maioria das universidades, os quais costumam seguir uma linha teórica dominante, restringindo a formação e capacitação profissional dos envolvidos.
A EJ não oportuniza vivenciar a livre concorrência e não se beneficia de bolsas, estando estes itens elucidados claramente na regulamentação das mesmas. A própria EJ defende a responsabilidade por sua manutenção como fruto de seu próprio trabalho.
A EJ atua sim, em benefício da universidade e não em benefício apenas de uma parcela reduzida de estudantes, como acusado. Cabe a oposição estar melhor informada dos inúmeros projetos que as EJ’s da UFSC já realizaram a favor da melhoria dos serviços que a universidade proporciona.
A proposta alternativa do Serviço Modelo Estudantil de Psicologia é uma iniciativa plenamente apoiada pelo Movimento de Criação da Empresa Júnior da UFSC, a iniciativa estudantil é um movimento que deve ser valorizado em sua diversidade. Os alunos assumirem a autoria de atividades em prol de seu próprio sistema de ensino é, sem dúvida, a maior representação de progresso para um curso.
O autor afirma que na proposta do Serviço Modelo, os estudantes teriam uma funcionalidade plenamente horizontal, sem coordenadores (função que define uma diretoria executiva em uma EJ). Os princípios da Psicologia Social comprovaram em inúmeros momentos que em uma organização com mais de 15 membros, é impossível que haja alguma coesão ou alinhamento de prática sem que alguém assuma um papel de liderança. Portanto, acredito que o Serviço Modelo teria um sério problema ao propor tal método de gestão.
Allan também diz que a utilização dos recursos públicos na atenção aos problemas sociais do nosso país é uma exclusividade do Serviço Modelo. Um dos maiores problemas sociais do Brasil é, sem dúvida, a inserção laboral adequada de seu povo, fator essencial para a cidadania e para uma vida digna, livre e independente, uma vez que um cidadão trabalhador é aquele capaz de produzir seu próprio sustento assumindo a autonomia em sua vida. O índice de pessoas desocupadas no Brasil encerrou 2010 em uma média de 6,7% - o menor porcentual desde 2002. No primeiro semestre de 2011, o desemprego seguiu caindo mês a mês. O índice se aproximou daquele que os economistas consideram pleno emprego.
Será mesmo que a atuação do profissional de psicologia no fortalecimento da economia nacional não é um exercício diretamente a favor da solução dos problemas sociais do nosso país?
O Movimento de Criação da Empresa Júnior de Psicologia acredita que a influência social que uma organização traz a seu país não depende se ela é de natureza governamental, não-governamental ou privada. Não cabendo a nós, julgarmos o tipo de contribuição que ela representa para a comunidade, exclusivamente pelo setor no qual ela atua, mas conhecendo de fato a sua atuação.
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
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Li a matéria exposta no Psiu! Considero sua resposta bastante adequada. Não há necessidade de eliminar uma possibilidade (empresa júnior) para se criar outras, mas sim, que o empenho de futuros profissionais na EJ seja pautado pelos valores da Universidade e os princípios éticos da profissão que escolhemos.
ResponderExcluirExcelente o post. Muito bem fundamentado, problematizando de forma bem positiva essa posição maniqueísta mantida por parte do curso.
ResponderExcluirÓtimo Post
ResponderExcluirA tendência comum é observar a denominação de "público" como sendo o oposto de "privado". Em verdade, essa conceituação segue uma lógica econômica e está amplamente subetida a noção de mercado atual (capitalismo). Felizmente, nos movimentamos atualmente em psicologia a fim de superar esa definição e entender, de forma mais acolhedora, a noção de "público" como sendo sinônimo de "coletivo". Nesse sentido, um serviço é público quando atinge interesses coletivos. Ou seja, falamos de Saúde Pública não mais pensando apenas em um serviço gratuito, mas sim em um serviço que é contextualizado e tem por objetivo atender as demandas do coletivo. O mesmo vale para as escolas públicas.
Bem sabemos, portanto, que existem organizações públicas - no sentido econômico da palavra - que não se dirigem ao coletivo (são públicas mas não são coletivas); bem como existem organizações privadas que atemdem aos interesses coletivos. As Universidades Federais são um ótimo exemplo de organizações públicas mas não coletivas, porque, como vemos todos os dias, atendem apenas aos interesses de uma minoria - a classe média e alta que não respondem juntas a mais de 20% da sociedade. A própria verba que se destina a essa organização pública (a universidade) está dirigida, portanto, mais para os interesses privados (individuais) do que coletivos ou sociais.
Dessa forma, podemos entender que as empresas juniores surgem dentro de uma universidade pública com a importante tarefa de elevar o seu caráter coletivo - tão precário atualmente.